segunda-feira, 13 de abril de 2026

Sevilha é o templo. É um dos locais sagrados da tauromaquia. E a sua Feira de Abril é um importante escaparate para toureiros menos vistos e que pode, de um momento ao outro, “explodir” e dar mais motivos de interesse aos aficionados. Depois da reaparição de Morante e de uma semana sem toiros, eis que começou a Feira.

No sábado, um cartel com o reconhecido Pepe del Moral, Lama de Góngora e Fábio Jiménez com toiros de Alcurrucen. Um curro de irrepreensível apresentação, bem representativo da sua base Nuñez, autênticas estampas mas que, no geral, não tiveram a desejada e necessária qualidade para o êxito de espectáculo. O segundo da tarde foi, de longe, o melhor dos seis.

O ofício e traquejo de Pepe del Moral foi suficiente para lidar o primeiro da tarde que recebeu à porta-gaiola com uma larga cambiada, estando bem com a muleta, a espaços e sempre que o toiro o permitiu. No seu segundo, que teve alguma qualidade e sob forte aguaceiro, conseguiu bons momentos com a muleta e agradou ao público.

Lama de Góngora, a quem vi pela primeira vez, teve uma boa faena de muleta frente ao segundo da tarde e onde houve alguns derechazos e naturais de qualidade. Matou de pinchazo e estocada e passeou a única orelha da tarde. Não pode rematar a tarde com o quinto que cedo se apagou na muleta e não queria luta. Abreviou.

Em terceiro lugar Fábio Jiménez a quem também vi pela primeira vez. Com maneiras intentou sacar o possível ao terceiro com alguns bons muletazos por baixo no principio. No que encerrou praça voltou a mostrar as suas qualidades ante um toiro nada propício ao luzimento.

No domingo, a terna composta por Álvaro Lorenzo, Rafael Serna e Molina lidaram 5 toiros de Fuente Ymbro e um  sobrero de Murteira Grave. Os de Fuente Ymbro tiveram no quinto o seu melhor, com raça e a cumprir o sexto. O sobrero de Grave, de bonito tipo, teria problemas de visão e não foi colaborador com o matador.

Álvaro Lorenzo teve uma boa primeira faena de muleta, aguentando e conduzindo bem as investidas do toiro, em plano de lidador, com classe, e com alguns bons naturais. Uma boa faena a abrir praça. O quarto da ordem foi devolvido por falta de força e o sobrero de Grave não lhe deu opções de triunfo.

Rafael Serna esteve em bom plano segundo da tarde com uma faena de muleta bem estruturada e com alguma qualidade mas esteve mal a matar. No quinto da tarde que repetia com casta, esteve firme e se o havia recebido à porta-gaiola com larga cambiada e depois boas verónicas, foi na muleta que mostrou toreria e valor, com duas séries de bons naturais e outra de derechazos que chegaram ao público. Matou de estocada e foi premiado com uma orelha.

Molina foi à porta-gaiola receber o terceiro da tarde com uma larga cambiada e depois duas boas chicuelinas. A faena de muleta teve interesse mas aos poucos o toiro rachou-se e teve de abreviar. No que encerrou praça, complicado e a defender-se, começou a faena de muleta de joelhos com dois cambiados  e depois com séries de naturais e derechazos. Meia, pinchazo e estocada.

Ambas as corridas não tiveram mais de 1/3 a 40% da lotação preenchida com boa entrada na sombra e foram ambas transmitidas pelo canal Onotoro.

Texto: António Lúcio

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