Sevilha é o templo. É um dos locais sagrados da tauromaquia. E a sua Feira de Abril é um importante escaparate para toureiros menos vistos e que pode, de um momento ao outro, “explodir” e dar mais motivos de interesse aos aficionados. Depois da reaparição de Morante e de uma semana sem toiros, eis que começou a Feira.
No sábado, um cartel com o reconhecido Pepe del Moral, Lama de Góngora e Fábio
Jiménez com toiros de Alcurrucen. Um curro de irrepreensível apresentação, bem
representativo da sua base Nuñez, autênticas estampas mas que, no geral, não tiveram
a desejada e necessária qualidade para o êxito de espectáculo. O segundo da
tarde foi, de longe, o melhor dos seis.
O ofício e traquejo de Pepe del Moral foi suficiente para lidar
o primeiro da tarde que recebeu à porta-gaiola com uma larga cambiada, estando
bem com a muleta, a espaços e sempre que o toiro o permitiu. No seu segundo, que
teve alguma qualidade e sob forte aguaceiro, conseguiu bons momentos com a
muleta e agradou ao público.
Lama de Góngora, a quem vi pela primeira vez, teve uma boa
faena de muleta frente ao segundo da tarde e onde houve alguns derechazos e
naturais de qualidade. Matou de pinchazo e estocada e passeou a única orelha da
tarde. Não pode rematar a tarde com o quinto que cedo se apagou na muleta e não
queria luta. Abreviou.
Em terceiro lugar Fábio Jiménez a quem também vi pela
primeira vez. Com maneiras intentou sacar o possível ao terceiro com alguns
bons muletazos por baixo no principio. No que encerrou praça voltou a mostrar
as suas qualidades ante um toiro nada propício ao luzimento.
No domingo, a terna composta por Álvaro Lorenzo, Rafael
Serna e Molina lidaram 5 toiros de Fuente Ymbro e um sobrero de Murteira Grave. Os de Fuente Ymbro
tiveram no quinto o seu melhor, com raça e a cumprir o sexto. O sobrero de
Grave, de bonito tipo, teria problemas de visão e não foi colaborador com o
matador.
Álvaro Lorenzo teve uma boa primeira faena de muleta,
aguentando e conduzindo bem as investidas do toiro, em plano de lidador, com
classe, e com alguns bons naturais. Uma boa faena a abrir praça. O quarto da
ordem foi devolvido por falta de força e o sobrero de Grave não lhe deu opções
de triunfo.
Rafael Serna esteve em bom plano segundo da tarde com uma
faena de muleta bem estruturada e com alguma qualidade mas esteve mal a matar.
No quinto da tarde que repetia com casta, esteve firme e se o havia recebido à
porta-gaiola com larga cambiada e depois boas verónicas, foi na muleta que
mostrou toreria e valor, com duas séries de bons naturais e outra de derechazos
que chegaram ao público. Matou de estocada e foi premiado com uma orelha.
Molina foi à porta-gaiola receber o terceiro da tarde com
uma larga cambiada e depois duas boas chicuelinas. A faena de muleta teve
interesse mas aos poucos o toiro rachou-se e teve de abreviar. No que encerrou praça,
complicado e a defender-se, começou a faena de muleta de joelhos com dois
cambiados e depois com séries de
naturais e derechazos. Meia, pinchazo e estocada.
Ambas as corridas não tiveram mais de 1/3 a 40% da lotação preenchida
com boa entrada na sombra e foram ambas transmitidas pelo canal Onotoro.
Texto: António Lúcio

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