sábado, 13 de junho de 2026

13 de junho de 2026 - 39 anos depois de tudo ter começado


Um virar de página, de muitas páginas escritas, de muitas horas de rádio, de gravações, de muitas expectativas, algumas defraudadas… uma vida muito mais longa do que alguma vez poderia ter pensado alcançar. E como referi num anterior texto, os tempos em que comecei eram realmente diferentes.

Vivia-se a uma velocidade completamente diferente e com meios que nem imaginávamos pudessem vir a ser o nosso dia-a-dia, a nossa ferramenta de trabalho. Esqueçam lá as internets, emails, facebooks, instagrams, x ou whatsapp para comunicar à velocidade da luz. Eram jornais, faxes, telexes, revistas e cartazes em papel, aos montes, misturados com folhas A4 dactilografadas com as crónicas, a que se juntavam uns quantos discos de vinil e umas cassetes com as músicas de fundo dos programas. E os jingles eram em directo, improvisando por vezes. Foi um início de experiência radiofónica verdadeiramente marcante e que nos deu uma enorme bagagem.

Não havia telemóveis, apenas os telefones fixos para trocar notícias, crónicas, até para entrevistas que não se podiam consumar em estúdio. Foi uma época de enorme colaboração entre aqueles que tínhamos programas de tauromaquia nas rádios locais e vivemos experiências interessantíssimas.

Os tempos mudaram e exigiram adaptações. Em todos os campos e na forma de comunicar. Mas a essência essa não mudou. E por isso ainda nos mantemos por cá, cuidando da informação e da crónica dos acontecimentos com o cuidado que merecem. Fomos aprimorando as nossas formas, tal como os toureiros vão amadurecendo o seu conceito de toureio.

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades, como escreveu o grande poeta Luís de Camões. E a forma como se interpreta o toureio, a pé ou a cavalo, é hoje bem diferente de quando me iniciei nestas lides apesar das suas bases fundacionais serem as mesmas. O público também mudou e aqueles que não souberam adaptar-se às mudanças, às novas exigências, foram ou vão ficando pelo caminho,

É preciso entender que com as redes sociais ficamos todos mais expostos, pois se chegamos rapidamente e a mais lugares e pessoas, nem sempre sabemos com o que contamos do lado de lá. E por isso, também hoje é preciso ser mais cauteloso naquilo que se diz e se escreve ou mostra com fotos, no fenómeno taurino.

As nossas referências continuam intactas pois bebemos de boas fontes, que nos ensinaram trilhar este caminho. E sabemos bem que terrenos pisamos, sem nunca faltar à verdade, à nossa verdade pois é do que vimos e sentimos que escrevemos e falamos mantendo sempre um critério de rigor. Eduardo Leonardo foi das pessoas que mais me ensinou sobre como ver e escrever sobre toiros. Um homem apaixonado pela festa e com uma visão muito à frente do seu tempo. Experienciei as diversas formas de comunicação: rádio, jornais, revistas e até televisão. Tudo com tempos diferentes e diversas abordagens e que se revelaram uma verdadeira escola, uma aprendizagem constante e enriquecedora.

Os novos tempos continuam a desafiar-nos em cada dia e em cada acontecimento taurino. Procuramos sempre algo de diferente, destacar o melhor de cada espectáculo e de cada tarde, não misturando a missão de informar com mexericos e com politiquices.

Este é um ciclo longo, de 39 anos, um ciclo que conheceu muitos momentos importantes, com temporadas a que assistia a 70/80 ou mais espectáculos por temporada, onde assisti a grandes competições e tardes e noites inesquecíveis de toureio. Sou daqueles que ainda vi toiros em Viana do Castelo e em Espinhou ou em Cascais ou Setúbal,na Malveira, em Lagos, Albufeira, Quarteira, Vila Real de Santo António. Ou das temporadas de 15 e mais espectáculos em Lisboa, no Campo Pequeno.

Eram outros tempos e reinavam outras vontades, onde tauromaquia não era atacada da forna que é só porque alguém a não entende, não a compreende. E não adianta responder a esses indivíduos com literatura, música, pintura etc. ou até com a defesa da biodiversidade que é representada pelo espaço onde vive o toiro bravo de lide. Nem querem saber, e como tal, o ideal é proibir.

Por isso estejamos atentos, tentemos que cada espectáculo seja um acontecimento digno de registo pela positiva, com casas cheias e competição. E que consigamos manter uma informação correcta, didática e rigorosa sobre o que se passa na arena que é, verdadeiramente, o que nos deve nortear.

Um agradecimento especial a todos quantos nos têm acompanhado nesta aventura e que nos têm incentivado a continuar. Bem hajam!

 Sobral de Monte Agraço, 13 de Junho de 2026

António Lúcio

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