Praça de Toiros do Campo Pequeno – Lisboa – 06/08/26 – Corrida de Toiros
Director: Ricardo Dias – Veterinário: José Luís Cruz –
Lotação: Esgotada
Cavaleiros: Rui Fernandes, Diego Ventura, Duarte Fernandes
(alternativa)
Forcados Amadores do Aposento da Moita e Amadores de Turlock
Ganadaria: Guiomar Cortes de Moura
UMA NOVA ESTRELA NO FIRMAMENTO TAURINO: NOITE DE SONHO PARA DUARTE
António Gedeão escreveu um poema lindíssimo, Pedra Filosofal,
e que creio se aplica aqui plenamente nas seguintes estrofes: “Eles não sabem,
nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo
pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.” E foi exactamente
por perseguir esse sonho que tem comandado a sua vida que o êxito sucedido na
noite desta quinta-feira 6 de agosto em Lisboa se tornou realidade. E não
exagero ao escrever que existe uma nova estrela, um novo cavaleiro com
capacidade para revolucionar o actual estado de marasmo da nossa festa tal a
classe e qualidade que mostrou no dia da tão sonhada alternativa concedida por
seu tio Rui Fernandes (que cumpria 28 anos de alternativa) e com o testemunho
de Diego Ventura na lide toiros de Guiomar Cortes de Moura.
A lotação do Campo Pequeno esgotara com vários dias de
antecedência para um espectáculo que despertava imensa expectativa e o
ambiente fora e dentro da praça era enorme. Feitas as cortesias, onde se guardo
um minuto de silêncio em memória do antigo forcado António José Zuzarte, foi
tempo para Rui Fernandes sair à arena e conceder a alternativa a Duarte
Fernandes perante o testemunho de Diego Ventura.
Saiu à arena “Triunfador”, nº 23 de 592 kilos e que teve
qualidade. Depois do brinde ao avô e ao tio, Duarte Fernandes executou boa
brega e cravou 2 compridos, bem rematados. A sua forma de lidar, partindo
sempre muito recto para o toiro, permitiu-lhe sortes de grande ajuste, reuniões
com classe e cravagens muito ajustadas, levando emoção às bancadas. O terceiro
curto foi excelente pelo desenho e consumação da sorte e o remate do bom ferro
seguinte com um total de 5 piruetas 5, fez o público levantar-se nas bancadas
para um estrondoso aplauso. Grande actuação na sua alternativa.
E no que encerrou praça e que foi mais exigente, referendou o
êxito com mais dois compridos, o segundo de boa nota e uma série de curtos em
que se agigantou, para rematar com ferros de palmo e uma rosa todos de violino
e que voltaram a faze explodir em ovações o público que esgotava o Campo Pequeno.
Que grande noite a de Duarte Fernandes que no final deu duas aplaudidas voltas
á arena e foi sacado em ombros saindo pela Porta Grande.
Rui Fernandes vive um momento de grande maturidade e isso fez
com que sacasse partido de dois toiros que não ajudaram em nada. No primeiro,
manso e reservado, subiu o tom da sua actuação na cravagem da ferragem curta,
com uma brega aturada, provocando o toiro e deixando 4 bons curtos, registando-se
também, bons remates das sortes. No quarto da noite, pode estar mais a gosto,
com um bom segundo comprido e uma série de ferros curtos de boa nota para
rematar com meio par e um bom par de bandarilhas esta sua passagem por Lisboa.
Diego Ventura não teve sorte no sorteio com dois toiros muito
parados e que não colaboram. No seu primeiro teve uma boa preparação a ladear
par depois deixar o primeiro curto que foi bom, mas a partir daí e com o toiro
cada vez mais tardo a responder, limitou-se a cumprir a papeleta sem poder
brilhar e não quis dar volta, situação que se repetiria no quinto onde teve
dois bons curtos e um último em que o cavalo não tinha colocada a cabeçada. Não
foi feliz nesta noite em Lisboa.
Para pegarem os 6 toiros saltaram à arena os Grupos de
Forcados Amadores do Aposento da Moita e Amadores de Turlock (50 anos). Pelos Amadores
do Aposento da Moita abriu praça o cabo Luís Canto Moniz a fechar-se bem e ao
primeiro intento, seguido por António Lopes Cardoso numa dura pega à 2ª e André
Silva muito bem e à 1ª, com o grupo coeso nas ajudas nas 3 pegas de caras. Da
Califórnia vieram os Amadores de Turlock que tiveram Morais Rocha na cara do 2º
da noite e apenas à 4ª conseguiu consumar, seguido por Joey Parreira bem à 1ª e
Fábio Vieira que encerrou com uma boa cara ao 1º intento.
A corrida foi dirigida por Ricardo Dias assessorado pelo veterinário
José Luís Cruz e toques de cornetim a cargo de José Henriques. Abrilhantou a
corrida a banda da Sociedade Progresso e Labor Samouquense.
Texto e foto: António Lúcio
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