Praça de Toiros do Campo Pequeno – 21/08/26 – Corrida de Toiros
Director: Tiago
Tavares – Veterinário José Luís Cruz – Lotação: ¾
Cavaleiros:
Luís Rouxinol, Gilberto Filipe, Filipe Gonçalves, Manuel Telles Bastos, Andrés
Romero, Paco Velásquez, Vasco Veiga (P)
Forcados
Amadores de Montemor e de Vila Franca
Ganadaria:
Dr. António Silva
O toiro e
toda a sua imprevisibilidade. O elemento essencial do espectáculo tauromáquico
e de cuja bravura, codícia, colaboração (investidas prontas) muito depende o
êxito da corrida. Quando impera a mansidão, por muito tipo e apresentação que
tenha o curro, se os toiros não colaborarem, só muito dificilmente o resultado
pode ser bom. Não serviram, por mansidão, os toiros do Dr. António Silva que
apenas se empregaram no momento das pegas.
E esta
corrida foi de concurso de pegas entre os Amadores de Montemor e os Amadores de
Vila Franca, que disputaram o troféu “Manuel Maria Trindade” perpetuando assim
a memória do jovem forcado falecido há um ano vítima de uma colhida sofrida
nesta praça do Campo Pequeno. Apenas as 6 primeiras pegas foram a concurso e o
júri composto pelos cabos das 2 formações decidiu que a melhor destas pegas
fora a sexta, a cargo de Rodrigo Andrade dos Amadores de Vila Franca que decidiram
entregar o troféu a Pedro Trindade, pai do falecido forcado.
Analisemos
então as pegas de caras. Por Montemor Miguel Cecílio foi o eleito para abrir
praça com uma difícil cara consumada apenas ao terceiro intento. Seguiu-se-lhe
Vasco Ponce que suportou violentos derrotes nas 1ª e 2ª tentativas e consumaria
à 3ª já com ajudas carregadas. Para pegar o 5º da noite, Joel Santos que só logrou
consumar à 4ª tentativa. José Maria Pena Monteiro consumou com galhardia uma
dura cara ao 1º intento com grande intervenção do 1º ajuda, seu irmão e cabo,
António Pena Monteiro. Por Vila Franca, Miguel Faria foi o escolhido para pegar
o segundo toiro da noite. Uma pega rija à 1ª e com o grupo a fechar bem. Depois
foi a vez de Guilherme Dotti noutra grande pega de caras à 1ª e Rodrigo Andrade
na pega vencedora, dura e difícil, à 1ª e com grande ajuda de Rodrigo Dotti. Vila
Franca em grande momento nesta dura e difícil corrida.
Quanto ao
toureio a cavalo, Paco Velásquez abriu praça por confirmar a alternativa e teve
de porfiar para cumprir a papeleta numa actuação esforçada e em que arriscou
para deixar a ferragem. Não deu volta.
Luís
Rouxinol não esteve acertado com o segundo comprido que ficou muito traseiro. O
primeiro curto, foi bom, bem rematado e tentou tudo para interessar o manso que
lhe tocou. Cravou 4 curtos no total e também não deu volta.
Gilberto
Filipe deixou 2 compridos e na série de curtos, teve um terceiro de boa nota ,
um bom violino, outro ferro com o cavalo já sem cabeçada assim como no violino
com que encerrou a lide. Uma actuação bem por cima do toiro. Deu volta.
Filipe
Gonçalves esteve animoso e sacou partido do seu arrojo. Depois de 2 compridos
partiu para uma série de 5 curtos em que colocou a carne no assador como se diz
na gíria e chegou ao grande. Interessante a sua prestação.
Manuel Telles
Bastos deixou 2 compridos bem rematados e depois o toiro buscou tábuas e só a
muito custo lhe conseguiu cravar 3 ferros curtos. Sem hipóteses de luzimento.
Não deu volta.
O espanhol
Andrés Romero deparou-se com um toiro que não queria investir em nenhum terreno
e depois de 2 compridos sentiu as inerentes dificuldades para deixar os curtos.
Também sem possibilidade de êxito. Teve o bonito gesto de brindar à família de
Manuel Maria Trindade. Não deu volta.
Encerrou
praça o praticante Vasco Veiga, com uma lide de raça, a pisar terrenos do toiro
para lhe deixar a ferragem da ordem, com mérito. Também não deu volta.
O
espectáculo foi dirigido por Tiago Tavares, assessorado pelo veterinário José
Luís Cruz, com toques de cornetim a cargo de José Henriques e a corrida foi
abrilhantada pelas Bandas do Samouco e Filarmónica Idanhense.
Texto e
foto: António Lúcio
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