Quem me conhece sabe bem que desistir é palavra que não
entra na minha mente por mais difíceis que as coisas sejam. Mas há momentos nas
nossas vidas em que temos de fazer uma retrospectiva da nossa vida, dos nossos
hobbies, das nossas relações, sejam elas de amizade ou outras. Nem tudo o que
brilha é ouro e, por vezes temos de combater a inércia para fazermos algo.
O que seria da água dos rios se não fossem as pedras que
estão no seu caminho e que tem de contornar… aquele murmúrio de pode ser
apaziguador ou pode ser uma torrente tumultuosa e barulhenta? Ou do mar, das
ondas que fustigam as rochas e salpicam tudo à sua volta ou com as suas águas
cristalinas super calmas? Alimento para as nossas almas seguramente. E, muitas
das vezes, precisamos de nos isolar para nos apercebermos do valor destas
pequenas coisas… como também o nascer e o por do sol. Já repararam que o sol e
a lua têm uma relação de proximidade, um buscando o outro até que se encontram
e nos permitem essa beleza, esse fenómeno do eclipse?
Porque será que não desistimos dos nossos sonhos? Porque
temos uma capacidade infinita de o fazer, seguramente. E por isso amamos e nos
apaixonamos, por coisas, por pessoas, por momentos, por artes. E que bom que é
podermos viver esses momentos sem amarras, sem preconceitos, livres e libertos.
Aprendi a viver com algumas limitações de ordem física.
Encontrei formas de contornar obstáculos e de resolver os problemas.
Dediquei-me a escrever sobre toiros, a fotografar, a viajar. Têm sido muitos
anos e muitas batalhas que a maioria das pessoas que me conhecer nem sonha.
Porque isso não importa nada e no dia em que passar para outra dimensão não
serão necessárias palavras nem mensagens nem nada. Foi um ciclo que terminou
como tantos outros que encerrei neste último ano, abrindo portas a novos desafios.
Confesso que na tauromaquia sou feliz, já aqui o escrevi.
Mas também porque trabalhei muito para isso, porque me soube rodear de pessoas
que respeito e me respeitam. Um
equilíbrio que nem sempre é fácil de manter. Como às vezes o meu
equilíbrio físico e emocional.
Este é um momento para parar e reflectir/repensar. É essencial para decidir o futuro e a continuidade de alguns projectos.
Há 4 anos atrás em finais de Setembro fui obrigado a parar por um problema de saúde e essa temporada teve um final abrupto mas que há algum tempo eu me ia apercebendo que poderia acontecer.
Agora é tempo de cuidar do corpo e da mente,
de parar uns tempos e fazer apenas mais dois ou três espectáculos par darmos
por encerrada esta temporada de 2026 e perspetivar o que iremos fazer em 2027,
ano em que cumprimos 40 anos de actividade. E se Paulo de Carvalho cantava que
“10 anos é muito tempo”, imaginem 40…
Foto: Ana Serra
Sem comentários:
Enviar um comentário